Segunda-feira, Julho 04, 2005

Surpreendidos

Neste fim-de-semana apercebi-me que o estádio municipal era palco, como se diz na gíria da juventude de hoje, de actividades radicais.
É claro que a pintura do muro de grafitis em painéis não é novidade, e podemos até achar já uma ideia um pouco démodé, assim como as macacadas dos saltitões aos pulos em pleno círculo central como se estivessem aflitos para começar o jogo.
Quanto à música, o som que me ia chegando estava já um pouco distorcido e assemelhava-se a uma vaca a parir, mas gostos não se discutem, e quando a rapaziada chegar à minha idade, talvez grande parte destes ruídos sejam já proibidos por uma directiva comunitária.
À parte das teorias musicais, o que me pareceu incontestavelmente radical foi o modus vivendi entre o executivo municipal, de cariz e postura vincadamente rural, com a juventude que denota já sintomas urbanos.
Esta novidade pode querer significar que, finalmente, os políticos mais à direita, habituados à campanha paroquial junto do eleitorado que não questiona as políticas desde que venham do partido do saudoso padre, querem agarrar os jovens naturalmente mais contestatários e pouco atentos ao design dos passeios ondulantes e ao negrume do alcatrão espalhado até às mais recônditas vielas.
É pois por isso previsível que a vereação de mais provecta idade seja reformada em Outubro, ainda que sem direito a pensão, e substituída por jovens de sangue na guelra dispostos a regressar à pacatez marinhoa.
A esquerda murtoseira, que sempre se procurou sustentar numa pretensa elite mais instruída e inconformada com a visão do poder inatingível, assiste hoje atrapalhada a uma mudança de estratégia do adversário para a qual não estava preparada.
Quando sairem as listas veremos de que lado estarão os dinossauros.