Vaidosismo e obscurantismo
A comunicação social tem sido ao longo das últimas décadas um notável motor do desenvolvimento humano, particularmente no que diz respeito à aquisição do conhecimento.
Sabemos que de toda imprensa escrita, da rádio e da televisão a que temos acesso, grande parte não proporciona aos leitores e ouvintes nenhum enriquecimento cultural, cingindo-se apenas ao lúdico-recreativo, tantas vezes patético, idiota ou rocambolesco.
É a diversidade de escolha que acaba por permitir ao consumidor interessado aprender alguma coisa com o melhor que os “media” têm para oferecer.
Quando alguém de fora, desconhecedor da realidade e do conteúdo, ouve dizer que um Concelho pequeno como a Murtosa possui três órgãos ditos de comunicação social, fica agradavelmente surpreendido, atenta a pobreza latente em tantas outras coisas.
O problema é quando se vai ler os jornais locais ou ouvir a rádio concelhia e se constata que pouco mais são do que álbuns de fotografias de vaidosa propaganda pessoal e familiar, quer de cidadãos arreigados a conceitos do passado quer de proprietários singulares ou colectivos que encontraram nos voos transatlânticos uma mina de ouro que, apesar de ter os dias contados, pretendem ordenhar até as tetas secarem.
Alguns colaboradores predispõem-se ingenuamente a contribuir com opiniões, umas mais interessantes do que outras, mas acabam por compreender que estão a pregar num dos desertos mais áridos do planeta, onde ninguém quer saber de nada a não ser de quem morreu, casou, nasceu, comungou ou graduou, desde que tivesse dinheiro para pagar a aparição pública.
Até Outubro ainda pode brilhar algum raio de luz, mas depois voltarão as trevas de onde a Murtosa nunca saiu e perece que tão cedo não sairá.


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