Opiniões
Depois de algum tempo ausente sem poder contribuir para manter acesa a chama das nossas “enguias” nem o tempero do nosso “escabeche”, tive oportunidade de dar uma vista de olhos sobre os escritos da nossa terra com o sentido de me actualizar sobre o que se por cá se passa e do que cá se fala.
Sobre os temas, as novidades são poucas ou nenhumas deixando ao léu a evidente apatia e indolência da maioria silenciosa constituída por todos aqueles que, à custa duma total incapacidade de edificar seja o que for, abusam na tendência para demolir tudo aquilo que teime em brotar.
Mesmo na comunidade que utiliza este veículo comunicacional como meio fluído de informação, onde se podia esperar que uma preparação intelectual mais evoluída deixasse reinar um espírito preocupado com novas metas e ambiciosos objectivos, teimam em proliferar regularmente campeões do bota-abaixo.
Talvez nunca cheguem a compreender que este campo é dos que querem expressar opiniões e não um campo de batalha onde as invejas pessoais encontrem o rastilho que precisam para atear as suas explosões coléricas e insensatas.
O interesse pelo que de bom se faz por cá e por esse país fora parece ser assunto que a poucos capta a atenção, provavelmente porque ao haver quem seja capaz de fazer bem relega os incapazes para o sítio onde merecem mas não gostam de estar.
Aliás este é um problema nacional, dum país fatalista e derrotado, onde a maioria das reacções a tudo o que é inovação começa quase sempre por um torcer de nariz.
É o velho culto da mediocridade tão caro à maioria dos portugueses.
Felizmente também os há que pouco se interessam se as ideias e as propostas vêm de alguém identificado ou de um pseudónimo.
O que importa é a imaginação. A única verdadeira riqueza que ninguém consegue condicionar ou prender ainda que tentem maltratar ou ofender.
Na área da informação escrita, já que da radiofónica não bradam novidades, perspectiva-se uma mudança radactorial anunciada para se apresentar no próximo mês.
Saberá a imprensa local contribuir para a desejável mudança de mentalidades murtoseiras, ou afirmar-se-á vendida a sub-reptícios objectivos e inconfessados interesses deixando aos blogs o único espaço de verdadeira pluralidade intelectual?


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