Sábado, Abril 09, 2005

Cocós e Ranhetas

No mundo em constante evolução ainda há quem teime em usar botas de elástico.
Na Murtosa há pessoas que não aceitam a indefectível realidade de hoje, tentando travar a todo custo tudo aquilo que se assemelhe a inovação. E isso nota-se imenso na classe política que ainda usa os mesmos modus vivendis.
Desperdiçam as energias a remediar em vez de as utilizarem para evitar os erros do passado.
Um concelho existente há praticamente oito décadas deveria mostrar uma autonomia consistente. Em vez disso mantém-se isolado, como uma donzela enjeitada à janela ansiando um aceno, esperando que alguém lhe dê a importância que entende merecida.
A grande parte da população vive numa total apatia quanto a perspectivas de desenvolvimento num futuro próximo. Os autarcas, que por obrigação deveriam estar atentos a este desinteresse, sempre que alguém emite uma opinião que contrasta com esse conformismo, dão mecha aos canhões para disparar contra todos, mesmo até contra aqueles que os elegeram na esperança de uma Murtosa mais desenvolvida.
Alegam que os munícipes não aparecem nas assembleias municipais para exporem as suas opiniões, e que aí sim é o momento e o local certo para o fazerem. Mas quando isso acontece assumem uma postura de juiz em causa própria, subestimando a importância das questões colocadas pelos interessados, destinando uns escassos minutos para o efeito. Não raras são as vezes que esses mesmos munícipes são olhados de viés ou sob um sorriso de escárnio. E assim, vão eliminando a vontade destes assumirem a sua cidadania activamente.
Numa terra de gente pouco letrada, na sua maioria, o cidadão comum sente-se muitas vezes acanhado para, junto dos autarcas, emitir as suas opiniões sobre determinadas matérias. Estou convencida, no entanto, que se estes viessem até junto dos munícipes ouvir informalmente as suas queixas e as suas opiniões, todos ficariam a ganhar.
Exemplo desta falta de diálogo é o resultado da recente remodelação do centro de Pardelhas, alvo de conjecturas várias, tendo sido assunto na comunidade bloguista. Agora que estão praticamente concluídas coloco as seguintes questões:

Não teria sido sensato a edilidade ter convidado os comerciantes locais para ouvir as suas opiniões sobre o projecto de remodelação daquela área?
Para cargas e descargas as viaturas onde param?
As zonas de estacionamento estão dimensionadas para as necessidades da mesma área?
Os táxis ficam naquela zona para que os taxistas possam permanecer nas tascas e cafés enquanto esperam pelos clientes?
Não poderia a praça de táxis deslocar-se para outra zona, uma vez que na maioria dos casos os táxis são chamados pelo telefone? (Isto aqui não tem estação do comboio, e as pessoas que querem apanhar um táxi tanto faz ser ali como noutro lado qualquer, certo?)
Às quintas-feiras as pessoas vão estacionar os carros onde?
Será que isto tudo é para as pessoas passarem a andar de táxi?
Será a Teoria-da-Conspiração-do-táxista-que-é-membro-da-Junta-de-Freguesia?

Considerações: A calçada portuguesa é muito bonita. A que ladeia a CGD deveria ter um aviso: POR FAVOR NÃO ESCARRE PARA O CHÃO; evitando desta forma que os homens que se encostam à fachada principal desse banco, passando lá horas infinitas a falar da vida dos outros e também a fazer campeonatos de eructação e flatulência não estraguem tão precioso trabalho.

Sugestões: Seguindo a ideia que o município de Leiria teve, a Murtosa deveria criar um espaço para os cães se aliviarem à vontade. Ficavam todos a ganhar: Os donos que se preocupam em apanhar os cocós ficam também muito mais aliviados e além disso os animais podem-no fazer sem a pressão da trela do dono conscencioso a arrastá-lo para o jardim (com rodelas de relva queimada por todo o lado). As pessoas que passaram a andar a pé porque não têm onde estacionar podem andar à vontade sem o receio de pisar num presente canino e chegar a qualquer lado e ser dardejado com olhares tipo: vá lá fora limpar o sapato.
Além disso se alguém cair por escorregar numa coisa daquelas, onde vai parar a ambulância para o seu socorro?