quinta-feira, setembro 22, 2005

Aos Cumentadores

Comentador é, por definição, aquele que faz comentários ou é autor de opiniões ou críticas. O adjectivo deriva do étimo latino commentatore que significa intérprete.
Ora, se comentar significa interpretar, parece-me lógico que os comentadores escrevam algo que se relacione com o assunto versado. No entanto, nas mais das vezes, os comentadores preferem assumir uma postura mentecapta arremessando frases sem sentido e pouco abonatórias para serem assinadas (a menos que o nome não os identifique, que pode muito bem ser o caso).
Para quem não percebe muito bem o que anda a fazer na Internet é capaz de ser muito difícil perceber as blagues de certos blogues como este. Também por isso destinam o seu tempo de tédio a inventar e a conspirar contra os administradores desconhecidos dos blogues como se fosse a mais importante missão, sem se aperceberem que desperdiçam munições contra seres invisíveis.
Esse tipo de comentadores faz-me lembrar aqueles que não conseguem arranjar uma namorada e andam a tentar desfazer o namoro dos outros por pura frustração, enganando-se a si próprios, para se sentirem menos infelizes.
E o que os frustra mais é o simples facto que a efemeridade dos seus comentários está à mercê dos blogueres (lá estou eu a escrever à Jacinto Lucas Pires).
A esses, que não têm nada mais para oferecer do que ideias de caca, vou passar a chamar-lhes cumentadores.

segunda-feira, setembro 19, 2005

+ cor + confusão

Depois de uma ausência sabática eis que retorno à Murtosa.
E que vejo eu, no panorama autárquico?
Em locais estrategicamente colocados para cada freguesia, surgem rostos risonhos, optimistas, diria eu, em tamanho descomunal, inversamente proporcional ao tamanho do eleitorado. Ao chegar à rotunda do depósito da água, estão os engenheiros, e por isso estão os dois juntinhos, cada qual com sua engenharia; os outros, os que não são mais do que simples nomes de baptismo, ficam cada um em sua freguesia e cada qual com a sua cor.
Os critérios desta campanha do PS devem rondar o surrealismo puro. Não percebo (e será que alguém mais do que o mentor desta alegoria percebe?) porque no Monte o candidato é amarelo ouro, nem porque o da Torreira é azul marinho, ou porque o da Murtosa é vermelho vivo e o do Bunheiro verde esperança. A menos que tenha havido alguma sessão de esclarecimento, os eleitores vão ficar a pensar que o PS cada vez está menos definido na sua cor partidária. É certo que a nível nacional tem vido a esbater-se do vermelho para o rosa, mas se a malta do Largo do Rato vier à Murtosa (comer uma caldeirada de enguias) e se apercebe da cromática campanha murtoseira...acho que vai ser cá um escabeche!
E também não percebo o nome das cores: amarelo ouro – porquê?, se ainda fosse amarelo ocre (ou talvez acre – vinho em excesso...) vermelho vivo – porque é o contrário de vermelho morto? Azul marinho? Não seria antes azul mourinho para uma vitória certa? E verde esperança? que vulgaridade, muito melhor seria, sei lá, verde chá verde, quiçá verde Pizang Ambon até porque no final terão todos que apanhar uma borracheira para se esquecerem do dinheiro que gastaram na porcaria desta campanha.
E o que é feito dos outros partidos? Se os cartazes na estão na rua por causa da indecisão na escolha das cores, eu sugiro que usem o laranja para o PSD, o azul e amarelo para o PP, o verde bandeira para os verdes e o vermelho sangue de boi para o BE. Ok não é original mas é genuíno e assim a malta percebe o partido a que pertencem os candidatos. E já agora vejam lá se arranjam alguns Dr., Prof. Dr., Enf., Vet., Arq., e outros graus académicos para que os forasteiros não pensem que os Murtoseiros são uma cambada de iletrados só com dois engenheiros (ou serão engenheiros técnicos?)

sábado, agosto 20, 2005

Io-Io

Começo a ficar farto de ouvir o Sr. Mário a dizer que se candidata para impedir que o Sr. Cavaco seja eleito sem grande esforço.
Mais farto estou ainda de ouvir o Sr. Mário dizer que desta sim é que é a última vez que se candidata.
Então mas será que o homem não vê que a sua candidatura é uma verdadeira capadela da esquerda democrática?
Então e se daqui a 5 anos, aos olhos do Sr. Mário, só aparecerem de novo um conjunto de “monos” da esquerda para se candidatarem?
É que o Sr. Cavaco ainda só terá à volta de 70 anos, e pela teoria do Sr. Mário estará novinho em folha!
Será que ele lança o MASP IV?
É que a porra da diferença de idades nunca se vai esbater por mais que Sr. Mário queira!
Será que um dia teremos umas eleições com dois candidatos cujas idades somadas ultrapassem os 200 anos?
Ao menos éramos os maiores nalguma coisa?
Há uma idade e um tempo para tudo na vida!
Há quem pense que sem a sua presença e interferência o mundo acaba!
Também na nossa política murtoseira há quem volte por pensar que faz falta.
Ou será por receio de ser esquecido?
É que um dia todos serão esquecidos, mesmo os que se notabilizaram, o que não é o caso!
O Sr. Mário não será esquecido pela história, mesmo depois desta triste cena.
Outros serão.

terça-feira, julho 26, 2005

Biscateiro da Nova Geração


Biscateiro é alguém que presta serviço, normalmente para fazer pequenos trabalhos que as empresas de maior dimensão entendem como perda de tempo e desperdício de meios.
Na Murtosa proliferam às centenas, pois o tecido industrial é francamente diminuto.
Grande parte destes biscateiros da construção civil faz de tudo um pouco. Consegue-se contratar mão-de-obra que faz desde o levantamento de uma parede à instalação de água, luz, esgotos, gás e com um pouco de esperteza ainda conserta o motor de rega; no fim ainda tapa fendas e rachadelas, rematando com pinturas em interiores e exteriores.
Há pessoas que subsistem deste modo e conseguem trazer para casa um rendimento razoável que lhes permite ter uma vida humilde mas desafogada dando alimento e educação aos filhos, alertando-os para que um dia sejam perfeitos no trabalho e honrados nos seus compromissos. Vivem o seu dia-a-dia tentando proporcionar à sua prole formação, muitas vezes com enormes sacrifícios pessoais, sempre com o objectivo de os catapultar para uma vida melhor. Mas já há poucos assim.

A nova geração de biscateiros caracteriza-se como uma classe operária em estilo neo-burguês que quer ganhar dinheiro sem saber fazer pouco mais que nada.
O biscateiro de agora pouco se importa com o brio profissional ou com a satisfação do cliente. Quando é contactado para ver se é possível fazer um serviço, responde logo com evasivas tipo: bem, isso faz-se. Depois o diálogo desenvolve-se mais ou menos assim: Andando de um lado para o outro com o cigarro na mão, vai coçando a nuca, o pescoço ou o queixo, a olhar por baixo com o cenho franzido, pensando como é que há-de desenrascar-se: _ Trago aí mais um ou dois camaradas e isso faz-se bem. O dono da obra: _ Então e quanto é que isto vai custar? _ Oh, isso é coisa pouca, são para aí 2 ou 3 dias de trabalho… _ Sim, mas uma estimativa só para ver com o que hei-de contar, homem? - pede o dono da obra. _ Eh, bem …isso…(sons vários e imperceptíveis) …bfffff, aponte p’aí p’a uns “tantos €. Tudo? (pergunta o outro) _ Não… p’a mãod’obra... _ Então e o material? _ bem isso não sei bem, depende…
O verdadeiro artista do biscate, nunca trás a ferramenta toda. Prefere deslocar-se a casa à medida das necessidades.
Nem tão pouco é capaz de fazer um cálculo aproximado da quantidade nem dos materiais necessários.
Prefere sair da obra várias vezes ao dia para ir comprar um disco para a rebarbadora mesmo que até aos olhos de um leigo se perceba insuficiente face à quantidade de materiais a cortar.
O dono da obra terá sempre que contar com várias demandas do ajudante à tasca para um “diesel prá máquina”. Este, pode até levar o balde que usa para transportar a argamassa para trazer as bebidas.
Se a obra durar mais que uma semana é certo que a segunda-feira é dia de absentismo pelo menos para um dos dois da equipa.
O que está feito está sempre mal feito, porque não foi feito, por ele, expert na matéria.
Uma tarde com cinco horas rende normalmente o mesmo ou menos que uma manhã de quatro, porque o cheirinho do bagaço no café depois do almoço à mistura com o tintol da refeição provoca uma reacção explosiva na cabeça e nos músculos. Normalmente a qualidade de vocabulário começa a descambar para o calão mais grosseiro e o tom de voz mais para o de irritado.
Se os materiais forem pagos pelo biscateiro vêm às pinguinhas sempre ao sabor da sua vontade e da sua lembrança, mesmo que haja lugar para um estaleiro industrial; se for o dono a pagá-los não importa que venham em porções exageradas.
Adora dizer mal, veladamente, dos empreiteiros, fazendo-me lembrar os canitos pincher a ladrar para buldogues surdos.
Abandona a obra pelo menos um dia por semana, sem justificação ou aviso, dispondo do tempo e do espaço como se fosse Deus no Céu e ele na Terra.
O biscateiro ou o seu ajudante lembra-se quase sempre de trazer um aparelho estéreo com música gravada optando nalguns períodos do dia por audição de programas como os discos pedidos da estação radiofónica de Arouca ou similar; em contrapartida óculos/viseira, auscultadores ou protecção para a boca ou nariz, sem esquecer o capacete, são considerados sem qualquer interesse prático. (Com os auscultadores não ouviriam a rádio, com a viseira não apreciariam bem a rapariga que passa na rua, com a máscara caiam para o lado com o seu próprio bafo etílico).
Por norma o "artista" opta pela maneira mais complicada para resolver o problema, perdendo tempo… mas ganhando dinheiro.
Alguma roupa de trabalho vai-se acumulando de dia para dia, atirada em qualquer sítio, chegando a haver meias e sapatos velhos no meio da areia ou no entulho.
Garrafas e latas de bebidas e papéis de embrulho das merendas misturar-se-ão com o entulho, mesmo que haja na obra um recipiente para o lixo. Tudo isto poderá inclusive fazer parte do pavimento a assentar, se for caso disso, sem que ocorra ao profissional do biscate, que isso pode alterar a resistência e a qualidade dos materiais.
O prazo de execução inicialmente previsto será prorrogado até o biscateiro lhe apetecer.
O final da obra nunca contempla a limpeza do local.
Os valores a pagar nunca se parecem nada com os estimados antes de começar a obra e nem que a meio desta já se esteja a prever grandes alterações orçamentais, o biscateiro prefere não avisar o dono da obra, para no fim ainda dizer que ele próprio foi prejudicado porque o dinheiro que leva a mais do que o previsto não chega para o trabalho feito.
Há até quem não passe factura mas tente cobrar o IVA.
E como quem não sabe ou não pode fazer estes trabalhos cala e consente, os biscateiros vão florescendo como cogumelos no mato em dia de chuva e enriquecendo sem pagar impostos. Alguns recebem subsídios escolares para os filhos como se não tivessem qualquer rendimento.
Os mais afoitos tentam ser empresários mas a megalomania afunda-os normalmente por excessos de expectativas, provocando muitas situações complicadas por resolver com os clientes.
E ainda nos queixamos dos terroristas? Estes não se imolam… fazem-nos é explodir a paciência

segunda-feira, julho 04, 2005

Surpreendidos

Neste fim-de-semana apercebi-me que o estádio municipal era palco, como se diz na gíria da juventude de hoje, de actividades radicais.
É claro que a pintura do muro de grafitis em painéis não é novidade, e podemos até achar já uma ideia um pouco démodé, assim como as macacadas dos saltitões aos pulos em pleno círculo central como se estivessem aflitos para começar o jogo.
Quanto à música, o som que me ia chegando estava já um pouco distorcido e assemelhava-se a uma vaca a parir, mas gostos não se discutem, e quando a rapaziada chegar à minha idade, talvez grande parte destes ruídos sejam já proibidos por uma directiva comunitária.
À parte das teorias musicais, o que me pareceu incontestavelmente radical foi o modus vivendi entre o executivo municipal, de cariz e postura vincadamente rural, com a juventude que denota já sintomas urbanos.
Esta novidade pode querer significar que, finalmente, os políticos mais à direita, habituados à campanha paroquial junto do eleitorado que não questiona as políticas desde que venham do partido do saudoso padre, querem agarrar os jovens naturalmente mais contestatários e pouco atentos ao design dos passeios ondulantes e ao negrume do alcatrão espalhado até às mais recônditas vielas.
É pois por isso previsível que a vereação de mais provecta idade seja reformada em Outubro, ainda que sem direito a pensão, e substituída por jovens de sangue na guelra dispostos a regressar à pacatez marinhoa.
A esquerda murtoseira, que sempre se procurou sustentar numa pretensa elite mais instruída e inconformada com a visão do poder inatingível, assiste hoje atrapalhada a uma mudança de estratégia do adversário para a qual não estava preparada.
Quando sairem as listas veremos de que lado estarão os dinossauros.

quinta-feira, junho 02, 2005

Os autores e os jornais

Neste fim-de-semana peguei em diversos jornais e sentei-me em frente ao mar a desfolhar as notícias.
Como tinha à minha frente os dois periódicos publicados na Murtosa, não foi difícil verificar as semelhanças gráficas e de organização interna que cada vez os tornam, esteticamente, mais parecidos.
Um dos aspectos que mais me chamou à atenção foi o cada vez maior número de colunistas que ocupam as últimas páginas.
Tirando o Sr. Bispo de Aveiro que, não deixando os créditos por mãos alheias escreve para os dois jornais, cada direcção redactorial tenta juntar um baralho de cartas maior e mais prestigiado do que o outro.
Curiosamente há uma clara diferença de posturas entre os colunistas dos dois periódicos.
Os do “Correio” falam sobre as coisas mais variadas mas não se inibem de indicar a sua formação académica ou desempenho profissional, como se isso fosse o garante duma opinião mais abalizada do que a de qualquer outro vulgar cidadão.
Os do “Concelho”, que na maior parte não conheço, e também falam de assuntos variados, devem, segundo essa concepção, ser todos desempregados ou iletrados, já que não assinam mais do que com o nome de baptismo.
Como tinha prestigiados jornais semanários nacionais e estrangeiros comigo, decidi verificar a prática corrente, tendo verificado que nos casos em que é colocada a função ou o grau académico pelo autor, a matéria tem directamente a ver com a profissão e/ou formação e o facto de o autor ser aquele confere ao artigo um elevado grau de rigor e de valor científico.
Não é isso que leio no “Correio” e, gostando de ler os artigos daqueles articulistas, não os relaciono com os títulos pessoais que, diga-se de passagem bem podiam ficar na gaveta.

quarta-feira, maio 18, 2005

Les Minuties

Não se faz omeletas sem ovos. Mas pode-se fazer escabeche sem enguias.
Na Murtosa blogosférica tem faltado ingredientes para se cozinhar pratos bem condimentados. De repente começou a usar-se o agri-doce por tudo e por nada. E há chefs que já nem sabem bem o que hão-de fazer para alimentar a turba sem que esta esteja sempre a reclamar. Ou é porque tem sal, ou por que tem piri-piri, ou porque exagerou no colesterol, ou porque usou muito açúcar…
Os mais insatisfeitos com a sua vida, regurgitam a azia em dissertações estéreis, na tentativa de que os cozinheiros confeccionem apenas os pratos que lhes sabem bem e que não lhes façam mal. Os gourmets só apreciam determinadas délicatesses e não perdoam falhas na apresentação. Depois, há aqueles que, habituados a distinguir a fome do apetite, vão deixando na beira do prato o que não lhes apetece.
Em momentos de crise há que trocar as enguias (locais) por carapaus (nacionais) e outras minuties para saciar a voracidade dos que anseiam por novidades.
Não, garanto-vos que não recorrerei a sobras dos pratos já servidos como habitualmente faz a Filipa (Vacondeus). Hoje apetece-me servir algo de novo (ou talvez não).
Entrada: O Zezinho prepara-se para, com o beneplácito do Vitinho, aumentar os impostos aos portugueses.
Prato principal: O Vitinho, que antes nos mandava para a cama, cresceu e foi dormir para o Banco de Portugal, e só agora percebeu que o deficit é superior ao esperado, avisando os portugueses que é preciso apertar o cinto (outra vez).
Sobremesa: Encetou perseguição das actividades económicas aos chineses live in Portugal mas não controla o volume de negócios, nem tão pouco a sua tributação.
Digestivo: Aumento da carga fiscal para fazer face à não diminuição da despesa pública.

terça-feira, maio 10, 2005

A bola de neve apesar do Verão

O movimento que já começa a engrossar para boicotar as próximas eleições autárquicas na Murtosa, como reflexo do inqualificável desprezo demonstrado pelos principais partidos quanto à ligação da nossa terra ao IC1, poderá ser uma notável homenagem das gentes marinhoas aos Precursores de 1899, nas proximidade das comemorações do 79.º aniversário da emancipação do Concelho.
Pela primeira vez, depois de tantos anos, parece que os políticos responsáveis pelos destinos da Murtosa poderão ter de voltar a pensar primeiro nos interesses da terra e só depois nos dos seus partidos que, diga-se em abono da verdade, se estão a marimbar para o IC1 a poente, a nascente, ou sem passar em lado nenhum perto de nós.
É claro que o movimento só ganhará consistência se, aos poucos, os populares se forem consciencializando de que, por uma vez que seja, devem forçar os políticos a tomar uma atitude.
E, nem que seja por uma só vez, TODOS os políticos devem sentir-se obrigados a respeitar os seus eleitores.
Para já, são mais de duzentos os aderentes assumidos.
Até lá terão de ser mais de quatro mil.

quinta-feira, abril 28, 2005

A morrer aos poucos

Depois de uns dias de descanso próprios dum fim-de-semana alargado, os portugueses regressaram à rotina diária em pleno tempo primaveril.
Por todo o lado, vê-se que a actividade comercial e os serviços estão sufocados pelo desânimo.
Pudera…basta olhar para as lojas vazias dias a fio, não por falta de produtos apetecíveis à vista, mas porque são cada vez menos os que podem passar duma fugaz espreitadela nas montras.
Nas lojas de bairro nos e mini-mercados, o equilíbrio é instável e, dum momento para o outro, a clientela que até hoje era fiel, resvala para o hipermercado onde a ilusão é proporcional ao espaço disponível.
Mesmo pelos cafés e restaurantes, o panorama não é muito diferente, excepção feita quando à porta sobressai o prato do dia a preços baratos demais para darem lucro que se veja.
Claro está, que nada disto se aplica aos estabelecimentos de gama alta, mas pouca diferença faz à Murtosa onde também não existem.
Poder-se-á perguntar, então, relativamente ao nosso Concelho :
Que intervenção tem neste momento, onde é preciso fazer das tripas coração, a Associação Comercial na defesa dos seus associados?
Como é possível que a Câmara, sem dialogar com ninguém, promova uma razia quase total aos estacionamentos de viaturas no centro da Vila?
Quem é que está para carregar às costas com as compras do supermercado se não tiver onde estacionar, como acontece agora após terem sido banidos todos os lugares da Av. 29 de Outubro que se transformou no novo alvo da GNR?
Será que não acreditam que ao diminuir o número de pessoas que vêm às compras, isso se vai reflectir imediatamente nos cafés, quiosques, cabeleireiros, e tudo o mais que tenha uma porta aberta ao público?
Como aceitar a localização e a quantidade dos lugares para táxis em Pardelhas?
Tudo isto são perguntas a que os responsáveis pelos acontecimentos não querem, não sabem ou não podem responder, sobretudo para não porem a nu as suas ideias antes das eleições que se aproximam.
Pardelhas, como centro comercial da Murtosa, agoniza a olhos vistos sob o olhar cândido e apalermado dos seus carrascos!

sexta-feira, abril 22, 2005

Vaidosismo e obscurantismo

A comunicação social tem sido ao longo das últimas décadas um notável motor do desenvolvimento humano, particularmente no que diz respeito à aquisição do conhecimento.

Sabemos que de toda imprensa escrita, da rádio e da televisão a que temos acesso, grande parte não proporciona aos leitores e ouvintes nenhum enriquecimento cultural, cingindo-se apenas ao lúdico-recreativo, tantas vezes patético, idiota ou rocambolesco.

É a diversidade de escolha que acaba por permitir ao consumidor interessado aprender alguma coisa com o melhor que os “media” têm para oferecer.

Quando alguém de fora, desconhecedor da realidade e do conteúdo, ouve dizer que um Concelho pequeno como a Murtosa possui três órgãos ditos de comunicação social, fica agradavelmente surpreendido, atenta a pobreza latente em tantas outras coisas.

O problema é quando se vai ler os jornais locais ou ouvir a rádio concelhia e se constata que pouco mais são do que álbuns de fotografias de vaidosa propaganda pessoal e familiar, quer de cidadãos arreigados a conceitos do passado quer de proprietários singulares ou colectivos que encontraram nos voos transatlânticos uma mina de ouro que, apesar de ter os dias contados, pretendem ordenhar até as tetas secarem.

Alguns colaboradores predispõem-se ingenuamente a contribuir com opiniões, umas mais interessantes do que outras, mas acabam por compreender que estão a pregar num dos desertos mais áridos do planeta, onde ninguém quer saber de nada a não ser de quem morreu, casou, nasceu, comungou ou graduou, desde que tivesse dinheiro para pagar a aparição pública.

Até Outubro ainda pode brilhar algum raio de luz, mas depois voltarão as trevas de onde a Murtosa nunca saiu e perece que tão cedo não sairá.

quinta-feira, abril 21, 2005

berlusconi's

Muita gente tem-se pronunciado sobre coisas erradas na Murtosa e têm apontado as armas à edilidade.
Mas nem tudo o que está errado ou a funcionar mal nasce na câmara… já lemos a questão das cegonhas, a problemática do marítimo e ainda ninguém falou da rádio…
Sabem que existe uma rádio na Murtosa? Existe, sim senhor. É a rádio do berlusconi e seus amigos. Existe há alguns anos, entrincheirada na junta do monte's de pinta, do berlusconi, sem qualquer ligação à terra que a viu nascer. Sem qualquer programação que não seja música e publicidade. Não tem qualquer intervenção na comunidade para além dessa.
É pena que assim seja…
Recentemente nasceu uma página da rádio na Internet, que ostentou a efígie do berlusconi. Ora, ligando a rádio do berlusconi à página web da rádio, com a fotografia do berlusconi e ao jornal do berlusconi e seus amigos, só podemos ter um super berlusconi. Nem o orwell do quimurta chegaria tão longe nem com tanta piada.
Que interesses movem o berusconi do monte? Que esquemas andarão a ser cozinhados ali para aquela zona dos catrazanas? Deverá o sousita temer aquele trio maravilha? Esperemos pelos próximos episódios.

sábado, abril 09, 2005

Cocós e Ranhetas

No mundo em constante evolução ainda há quem teime em usar botas de elástico.
Na Murtosa há pessoas que não aceitam a indefectível realidade de hoje, tentando travar a todo custo tudo aquilo que se assemelhe a inovação. E isso nota-se imenso na classe política que ainda usa os mesmos modus vivendis.
Desperdiçam as energias a remediar em vez de as utilizarem para evitar os erros do passado.
Um concelho existente há praticamente oito décadas deveria mostrar uma autonomia consistente. Em vez disso mantém-se isolado, como uma donzela enjeitada à janela ansiando um aceno, esperando que alguém lhe dê a importância que entende merecida.
A grande parte da população vive numa total apatia quanto a perspectivas de desenvolvimento num futuro próximo. Os autarcas, que por obrigação deveriam estar atentos a este desinteresse, sempre que alguém emite uma opinião que contrasta com esse conformismo, dão mecha aos canhões para disparar contra todos, mesmo até contra aqueles que os elegeram na esperança de uma Murtosa mais desenvolvida.
Alegam que os munícipes não aparecem nas assembleias municipais para exporem as suas opiniões, e que aí sim é o momento e o local certo para o fazerem. Mas quando isso acontece assumem uma postura de juiz em causa própria, subestimando a importância das questões colocadas pelos interessados, destinando uns escassos minutos para o efeito. Não raras são as vezes que esses mesmos munícipes são olhados de viés ou sob um sorriso de escárnio. E assim, vão eliminando a vontade destes assumirem a sua cidadania activamente.
Numa terra de gente pouco letrada, na sua maioria, o cidadão comum sente-se muitas vezes acanhado para, junto dos autarcas, emitir as suas opiniões sobre determinadas matérias. Estou convencida, no entanto, que se estes viessem até junto dos munícipes ouvir informalmente as suas queixas e as suas opiniões, todos ficariam a ganhar.
Exemplo desta falta de diálogo é o resultado da recente remodelação do centro de Pardelhas, alvo de conjecturas várias, tendo sido assunto na comunidade bloguista. Agora que estão praticamente concluídas coloco as seguintes questões:

Não teria sido sensato a edilidade ter convidado os comerciantes locais para ouvir as suas opiniões sobre o projecto de remodelação daquela área?
Para cargas e descargas as viaturas onde param?
As zonas de estacionamento estão dimensionadas para as necessidades da mesma área?
Os táxis ficam naquela zona para que os taxistas possam permanecer nas tascas e cafés enquanto esperam pelos clientes?
Não poderia a praça de táxis deslocar-se para outra zona, uma vez que na maioria dos casos os táxis são chamados pelo telefone? (Isto aqui não tem estação do comboio, e as pessoas que querem apanhar um táxi tanto faz ser ali como noutro lado qualquer, certo?)
Às quintas-feiras as pessoas vão estacionar os carros onde?
Será que isto tudo é para as pessoas passarem a andar de táxi?
Será a Teoria-da-Conspiração-do-táxista-que-é-membro-da-Junta-de-Freguesia?

Considerações: A calçada portuguesa é muito bonita. A que ladeia a CGD deveria ter um aviso: POR FAVOR NÃO ESCARRE PARA O CHÃO; evitando desta forma que os homens que se encostam à fachada principal desse banco, passando lá horas infinitas a falar da vida dos outros e também a fazer campeonatos de eructação e flatulência não estraguem tão precioso trabalho.

Sugestões: Seguindo a ideia que o município de Leiria teve, a Murtosa deveria criar um espaço para os cães se aliviarem à vontade. Ficavam todos a ganhar: Os donos que se preocupam em apanhar os cocós ficam também muito mais aliviados e além disso os animais podem-no fazer sem a pressão da trela do dono conscencioso a arrastá-lo para o jardim (com rodelas de relva queimada por todo o lado). As pessoas que passaram a andar a pé porque não têm onde estacionar podem andar à vontade sem o receio de pisar num presente canino e chegar a qualquer lado e ser dardejado com olhares tipo: vá lá fora limpar o sapato.
Além disso se alguém cair por escorregar numa coisa daquelas, onde vai parar a ambulância para o seu socorro?

quarta-feira, abril 06, 2005

Opiniões

Depois de algum tempo ausente sem poder contribuir para manter acesa a chama das nossas “enguias” nem o tempero do nosso “escabeche”, tive oportunidade de dar uma vista de olhos sobre os escritos da nossa terra com o sentido de me actualizar sobre o que se por cá se passa e do que cá se fala.

Sobre os temas, as novidades são poucas ou nenhumas deixando ao léu a evidente apatia e indolência da maioria silenciosa constituída por todos aqueles que, à custa duma total incapacidade de edificar seja o que for, abusam na tendência para demolir tudo aquilo que teime em brotar.

Mesmo na comunidade que utiliza este veículo comunicacional como meio fluído de informação, onde se podia esperar que uma preparação intelectual mais evoluída deixasse reinar um espírito preocupado com novas metas e ambiciosos objectivos, teimam em proliferar regularmente campeões do bota-abaixo.

Talvez nunca cheguem a compreender que este campo é dos que querem expressar opiniões e não um campo de batalha onde as invejas pessoais encontrem o rastilho que precisam para atear as suas explosões coléricas e insensatas.

O interesse pelo que de bom se faz por cá e por esse país fora parece ser assunto que a poucos capta a atenção, provavelmente porque ao haver quem seja capaz de fazer bem relega os incapazes para o sítio onde merecem mas não gostam de estar.

Aliás este é um problema nacional, dum país fatalista e derrotado, onde a maioria das reacções a tudo o que é inovação começa quase sempre por um torcer de nariz.

É o velho culto da mediocridade tão caro à maioria dos portugueses.

Felizmente também os há que pouco se interessam se as ideias e as propostas vêm de alguém identificado ou de um pseudónimo.

O que importa é a imaginação. A única verdadeira riqueza que ninguém consegue condicionar ou prender ainda que tentem maltratar ou ofender.

Na área da informação escrita, já que da radiofónica não bradam novidades, perspectiva-se uma mudança radactorial anunciada para se apresentar no próximo mês.

Saberá a imprensa local contribuir para a desejável mudança de mentalidades murtoseiras, ou afirmar-se-á vendida a sub-reptícios objectivos e inconfessados interesses deixando aos blogs o único espaço de verdadeira pluralidade intelectual?

terça-feira, março 22, 2005

E=mc2

Quando decidi fazer parte dos autores deste blog fi-lo na convicção de que faltava na blogoesfera murtoseira um pouco de “picante”. Daí ter surgido o nome Enguias de Escabeche – prato típico da região, cujos condimentos levantam um morto. É que às vezes parece que a Murtosa é um enorme cemitério de mortos vivos, que andam cá por ver andar os outros. No meio destes aparecem sempre uns abutres que se aproveitam das carcaças moles e indiferentes e desatam a fazer o que bem lhes apetece em nome de uma causa pública.
Ora, como em meios pequenos as pessoas, que tornam públicas opiniões diferentes dos que detêm o poder, são muitas vezes vítimas de vinganças, muitas delas já nem opinam por se sentirem coagidas.
A história conta-nos sobre figuras, proeminentes ou não, que foram lançadas para a fogueira por muito menos. Mas para quem não se tenha apercebido a Inquisição acabou.
A identificação de cada autor é necessária consoante a finalidade do blog. Aliás, na blogoesfera, sendo este um espaço virtual tão abrangente, a identidade de cada um é na maior parte das vezes insignificante. O mesmo não acontece com a mensagem, dependendo do impacto criado pela mesma.
Neste blog damos a possibilidade de comentários anónimos porque a nossa intenção é dar hipótese a amordaçados de poderem finalmente falar. Contudo não pretendemos ser ofensivos para com ninguém. Já o mesmo não se passa com alguns comentadores incomodados com algumas verdades, que muitos pensam mas não têm coragem de as dizer pelo motivo atrás referido. Por isso ficará ao nosso critério excluir comentários abusivos tendentes à difamação ou outro género de cobardias.
E é neste contexto que não são opiniões de um Roger Phillips, que pode ser um professor catedrático ou um apanhador de moliço, que nos inibe de escrever o que entendermos. Para lhe ser franca só conheço o brasileiro Roger que jogou no Benfica e o Roger Rabbit da vamp Jessica.
E não é por assinar os seus comentários que o senhor, para a maior parte do mundo, deixa de ser um ilustre desconhecido.
No universo blogosférico a Lei é a da Teoria da Relatividade.

quarta-feira, março 09, 2005

Um dia depois

No dia 8 de Março de cada ano comemora-se o Dia Mundial da Mulher.
Enquanto algumas mulheres receberam flores, ou gestos sentidos, por profunda gratidão daquilo que são humanamente, outras receberam o produto do apelo ao consumo que inevitavelmente a sociedade promoveu.
Mas, infelizmente, muitas mulheres não tiveram a mesma sorte.
Quantas mulheres continuam a não ser consideradas como iguais nos direitos humanos?
Quantas mulheres continuam a ser abusadas, física, sexual ou psicologicamente?
Quantas mulheres continuam a ser traficadas como escravas sexuais?
Quantas mulheres são injustamente preteridas profissionalmente?
Quantas mulheres têm morrido infelizes por terem nascido?
Ontem houve condecorações para 30 mulheres portuguesas pela mão do Sr Presidente da República.
Dos fracos não reza a história...
E a partirde hoje, algo irá mudar?